1 de junho de 2012

Geração Vampírica

É que às vezes a gente se auto-olho-gorda, mantendo-se na sugação vampírica de si próprio.
Deixando a alma esquelética, permanecendo zumbi, culpando outrem.
Uma calamidade pós-pop-judas, julgando-se passivo de culpas. Tornando-se fraco, procurando ameaças onde não tem.
É degradê fine conception intitular-se nocivo. Ser o sentido da boa educação.
Ah! Grandes merdas é ser o mocinho nessa cidade fantasma estragada, sugadora da mesma espécie zumbi desventura, já comentado antes.
Oh, minha geração desesperada, morde-se profundamente, agonizada pela má reputação, que nem tem forças mais pra relutar da melhor forma.
Desmaia.
Caminha ao elefantismo do ego.
Incha-se.
Ignora o compreensismo.
Cai na própria armadilha pra ienas.
E se conforma com greves de rotina invalidada.

19 de março de 2012

Caprichos de um protagonista sádico

Num brincar de amarelinhas brilhantes, por um segundo ela o viu. Era comum. Comum até demais. Mas quando o olhou nos olhos viu a diferença lhe calar. Diferente, sim. Sem clichês e óbvios. Comportamentado em boas maneiras e olhar doce. Supriu-lhe a paz em sensações secretas. Num reagir viciante, ela queria muito mais. Um cheiro. O cheiro dele. O de menino. De paixão iminente. Sanguessuga. Naftalina. Sabia que destruiria mais um. Como detectar se era ou não mais um dos seus caprichos de um protagonista sádico? Sozinha pensava. Amortizava. Uma palavra inventada. Era um querer demais. Confesso amor, bandido amor, turbulento. Me faz um bem. Me faz serenar e inquietar no diagrama ao avesso.
Ela o quer agora. Já não espera mais ele encontrar-se em suas próprias maldades.
Ilusões são passageiras. Ela insiste em apressar o que tiver de ser. Amor brando não a convoque. Ela não está preparada pra compartilhar. Agora ela adormece... Adormece sem ele ao lado. Adormece apenas pra esquecer. Se refugia ao sonhar.

16 de fevereiro de 2012

Ninguém é de Ninguém

Ninguém é de Ninguém de Zíbia Gaspareto, sem rodeios me surpreendeu!
Apesar de ser leitura fácil e eu tê-lo adiado por alguns dias depois de comprá-lo. Vi-me completamente envolvida no seu romance drástico, libertário, surreal. Incompreensível por doentes de alma e pés de concreto, Ninguém é de Ninguém requer coração leve e mente tranquila. Não se revela auto-ajudativo ou aulas de espiritismo como o julguei no começo. É um livro que comove pela falta e excesso de amor. Pelo amor distorcido, inquieto e obsessivo, conduzido à vaidade e inveja do homem, fortalecendo assim minha visão do amor ego burguês. Pude fortalecer também, pontos contraditórios que me forçaram a encontrar satisfatórias ou conformativas questões energéticas, espirituais. O final me deixou turbulenta de imaginações e não consegui compreender certos feitos rápidos demais. Deliciei-me com o livro enquanto sua história me envolvia em meio a tantos tormentos e prazeres sem esperar muito das últimas páginas, pois expectativas são sempre falhas e os finais nem sempre surpreendem. Assim como muitas histórias que já viví.

-Livro não recomendado aos ignorantes evoluídos.




16 de janeiro de 2012

Interesse Narciso

Num transbordo confuso de ternura e energias, a gente se olhou e amou um ao outro. Não amor de pele, mas amor intelecto, poético simpatizante. Que olha de longe, só quer conversar. Descobrir. Envolver. Misturar inspirações. Alastrar-se a arte de um amor contemporâneo. Um fato em destino, ideias que se encaixam, ‘você se parece comigo’ ‘exato a minha dor’
E num pôr do sol em Humaitá na cidade baixa, bebemos vinho e nos pusemos reais um ao outro. Aquele cheiro de mar e mato, a ebriedade balançante do vinho e, ele se invocou a uma posição cruzando as pernas em modo Caetano filosófico burguês, fazendo uma de suas sobrancelhas subir em seguida. E assim permaneceu... Nesse estado corporal congelante Don Juan de mil faces. Passando a vomitar sua teoria narciso taurina; ‘Eu, eu, eus’ Sem o mínimo esforço de humildades, alcançou um breve; ‘Porque somos assim, os melhores, somos simplesmente assim, os fodas’
‘Não, não, espere aí. Eu não sou ego burguês nazista. Sou muito segura da minha posição de fracasso passional egoísta. Sou livre porque não tenho medo das minhas dores, das minhas angústias e do que perdi. Não sou como vc.. Inseguro, incompreendido, que se sente inferior as suas paixões e usa como defesa o ego intelecto arrogante, o ar esmiuçado antipático pra se recompor e disfarçar-se voador, não rastejante. Não, eu não sou como você, seu amor não é liberdade, sua dor não é cumplicidade, sua poesia é vã. ’
Ele me olhou. Acendeu um cigarro. Acorcundou-se e olhamos pra lados opostos. Humaitá silenciava. De fundo ouvia-se o estalar das pipocas. E o pipoqueiro olhava-nos atento, como se fossemos explodir a qualquer momento.
Acordei com a ressaca mais frustrante da minha vida. Pensei nele e no seu ar de pombo rei filosófico. Tive medo. Medo de me tornar futuramente um coração ego burguês amargurado, arrogante... E deixe de amar e falar sobre o amor com a mesma humildade e liberdade de hoje, apenas por defesa.

4 de janeiro de 2012

Versus#Bahia

Um suposto reveillon abençoado. 
Branco, dourado, vermelho, amarelo esgotam das lojas. Todos em busca de paz, glamour, paixão e fortuna.
Casas de shows lotam, faturam, inebriam-se pela felicidade efêmera de nós.
O champagne estoura avisando que o ano mudou, o numero aumentou, extendeu, progrediu, mas ainda não acabou... 'O Carnaval vai passar'.
Sequências de ferveção baiana aglomera a multidão numa explosão de feromônios anestésicos ao tédio. 
O sol anima. É calor. É colorido. É roupa pouca, artesanatos e acessórios.
O Baiano sorri. A estação é verão. A estação é do povo que sai da toca e nem se importa tanto com o preço do buzu a subir.
Empolgados. Extasiados. É magia!! Tudo cheira a maresia, mesmo no centro da cidade, alta baixa, suburbana. Gamboa, Engomadeira, Sussuarana... Liberdade!
Ó povo brasileiro, sem vergonha e feliz, que tem revolta mas sorri porque hoje não choveu, o Porto da Barra rendeu e o pôr do sol foi massa!



30 de dezembro de 2011

Arquitetura d'uma manhã

05h24 am. Eu embrulhada na cama, de olhos abertos. Um vento frio dançante entre as cortinas avisa que a manhã não vai ser tão clara. Uma breve felicidade encontrada apenas no controle de tudo. Eu não queria crescer, nem diminuir. Eu queria mudar o que estava estragado! Apressurava então, pra tudo dar tempo. Confiante de possibilidades, levantei... Mas seu olhar compenetrava meu tempo. Em pé, arrastante, decidida, construía em mim a minha varanda, com quadros e flores, um colchão e uma luz menor. Uma cor; amarelo. Ele não podia ver nem sentir, um sonho real só meu. Um almejo doce de um futuro de sim renascia em mim. Entrelaçava-se nessa manhã, anoitecendo o que fui ontem e eu já nem sabia mais esperar. Vivia!


18 de dezembro de 2011

O louco são

Num esforço repetitivo, uma bursite passión encalidada.
Eu necessito mais amor, menos esforço
Mais ‘Sim’, menos gostos desnecessários pela manhã.
Sem culpas. Nem te culpo. Por que te culpar?
Sóbrio, sincero. Ele é um louco são que sente, mas é um louco em paz.
Jamais o acusarei da minha invalidez de prosseguir.
Eu não sei mesmo fingir, nem lutar.
É que eu vivo quando há. Deixando livre o que já foi.
Deixando adormecer o que senti...
É um delírio meu. Transtorno meu, porém... Não o amo por isso.
Meu egoísmo aprendendo a ser dois sem ter.
Eu só não quero ser mais dos nenhuns que eu já fui.
Não quero mais. Nem quero ser.